A história de cada um

Uma reflexão inacabada sobre como nossas histórias determinam nosso fazer.

Você já deve ter respondido algumas vezes a pergunta “Quem sou eu”. Pelo menos quando você preencheu o perfil do orkut não é mesmo?

As respostas que damos a esta pergunta, nunca dão conta de expressar tudo que realmente somos. Quando respondemos o que somos, na maioria das vezes lembramos da história da nossa vida para podermos explicar a partir daí o que somos no presente.

Quando olhamos para nosso passado, estamos na verdade olhando (no presente) para histórias ou narrativas que conservamos de nós mesmos. Lembra da história do seu primeiro beijo? Ou você se lembra da história do seu primeiro namoro? Sejam fatos pontuais ou eventos que duraram meses, sempre conservamos uma emoção e uma explicação sobre nosso passado. Essa explicação não é a experiência em si, é só uma explicação ou uma narrativa (cheia de emoção é claro) do que aconteceu. E uma explicação nunca substituirá uma experiência já que vivemos apenas o momento presente.

Nossa história está registrada em todo nosso corpo – na mente, em marcas, na nossa postura, na voz, na fala, no linguajear, no nosso emocionar de todos os dias – e nosso corpo é o “instrumento” que temos para manifestar nosso viver e para experimentar o fluir do viver. Estou falando de corpo no sentido mais amplo da palavra, contemplando então toda esta magnifica estrutura fisíca, mental e espiritual.

Geralmente temos uma explicação para cada marca ou característica do nosso corpo. Eu mesmo tenho um desvio na coluna e uma explicação para isso, uma história que conta como isso aconteceu, como eu me relacionei com isso durante minha vida ou qual é minha explicação holistica para o assunto.

Esse conjunto de narrativas de nossas vidas, determinam nosso comportamento no dia de hoje. Essas histórias conservam junto com elas valores e coerências que mantemos a cada nova experiência que vivemos. Então explicamos e justificamos nossos atos no presente, a partir de nossa coerência histórica. De alguma forma então, essas explicações que fazemos de nós mesmos nos limitam em cada ato presente. Nossos limites muitas vezes surgem a partir de alguma história/explicação/narrativa que nos explica e determina nosso jeito de ser.

Uma mulher é casada há 15 anos e tem sido uma pessoa super dedicada ao casamento durante todo este tempo. A história deste casamento bem sucedido que esta mulher conserva, faz com que ela seja uma mulher dedicada a seu marido, a ponto de abrir mão de fazer coisas que ela deseja para se dedicar ao casamento.
Então um dia ela descobre que o marido a trai já há 10 anos com outra mulher… com isso, a narrativa que ela conservava sobre sua vida muda e surgem a ela novas possibilidades de reflexão e ação.

Podemos então narrar nossa experiências de outras maneiras. Um fato novo surge e então temos uma nova dimensão de algo que se passou em nossa vida e a partir daí uma nova explicação surge para nós e abre novas possibilidades de ação e reflexão.

Se refletirmos sobre nossa vida, podemos também gerar espontaneamente novas explicações sobre nosso viver, que tiram nossos limites ou criam outros, mas ainda estaríamos vivendo nos relacionando com o presente a partir das lentes de nossas histórias de vida.

Esta reflexão está em aberto para mim. De qualquer forma, me pergunto e compartilho a reflexão:

  • É possível viver neste momento presente? É possível estar neste presente, na candura de uma criança que está começando seus passos, sua caminhada?
  • Quais são os limites que conservo conservando as histórias que conto sobre mim, da maneira que as conto?

2 ideias sobre “A história de cada um

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