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Curso de Dinâmica de Sistemas na Universidade da Catalunha

Comecei hoje a participar de um curso a distância sobre Dinâmica de Sistemas, ministrado pela Catedra UNESCO que é uma unidade da Universidade da Catalunha que tem como objetivo promover o desenvolvimento sustentável, reduzir as desigualdades e promover a diversidade.

Dentro deste contexto nasceram vários grupos de estudo na Catedra UNESCO, um deles é o grupo Dinâmica de Sistemas, que oferece o curso de Especialização em Dinâmica de Sistemas e o curso de Criação de Modelos de Ecologia e Gestão de Recursos Naturais.

Ambos os cursos tem como base o pensamento sistêmico e objetivam ensinar a entender diagramas de sistemas, escreve-los e gerar modelos computacionais de simulação.

O que me interessou mais neste momento, é saber que estes cursos possuem estão conectados ao tema “Sustentabilidade”, e partem do princípio que o pensamento linear gera a escassez e alimenta a competição humana.

Além disso, logo no primeiro texto, a cooperação é citada como único meio de desverticalizar empresas e gerar processos sustentáveis. A dinâmica de sistemas e o pensamento sistêmico dão suporte às pessoas que desejam cooperar a medida que são ferramentas que permitem um visualização mais rica das inter-relações das pessoas e de grupos de pessoas com seu ambiente.

Simulação do mundo

No primeiro texto ainda, fiquei sabendo que existem vários malucos sistêmicos que elaboraram mapas sistêmicos de simulação do mundo. Isso mesmo! Imagine, vários camaradas já colocaram milhares de variáveis e funções num computador, pra simular o que pode acontecer com a antroposfera e com a biosfera.

Como citado num dos documentos da Pós, esses modelos (simuladores) foram criados em diferentes países, utilizando técnicas diferentes e com diferentes objetivos. Desta forma, todos estes modelos estão limitados pela quantidade e a qualidade das informações que os seus criadores incluíram.

Os fatores que estão incluídos nos modelos são: econômicos, população, agricultura, problemas ambientais, o uso de recursos naturais, guerras, política, idéias novas ou desastres naturais – todos fatores com uma forte dimensão caótica e/ou qualitativa, de difícil modelização… A maioria assume que a tecnologia não muda ou muda de forma automaticamente, sem nenhum custo, e de forma exponencial (acumulativa), permitindo uma maior produção a menores custos.

Alguns modelos consideram o mundo como uma simples unidade, outros o dividem em 10 ou 15 regiões, sendo que alguns chegam até uma centena de países. O horizonte temporal considerado varia entre alguns anos até um século. Alguns modelos, principalmente os primeiros, levantaram muitas polêmicas. Outros foram criados com o objetivo claro de questionar os resultados de modelos anteriores.

No entanto existem características comuns a todos eles, destaco algumas que me interessaram e aproveito pra citar o final do primeiro capitulo que estou estudando:

“…

  • Um modelo é uma lista de equações matemáticas que explicitamente refletem uma determinada imagem do mundo, apoiada por parâmetros estatísticos e relações logicamente coerentes entre si. Por trás de isso tudo podemos ver frases como “se todas estas hipóteses são corretas, não se omitiu nenhum outro fator relevante e sua validade se mantém no futuro, então os resultados lógicos serão…” (você, aluno, pode anotar esta frase para tê-la preparada se por acaso algum dia precisar…).
  • Não existem, no momento, razões técnicas ou físicas para que as necessidades humanas não sejam satisfeitas agora ou num futuro previsível. Estas necessidades não se satisfazem por questões de estruturas políticas, sociais, culturais e legais, não por questões físicas.
    Este paragrafo me remete ao livro que li há 8 anos. Ami, o Menino das Estrelas
  • A população e o consumo de recursos físicos não pode crescer indefinidamente sobre a Terra. Existem limites ao crescimento.
  • Não temos uma informação completa e clara sobre o grau de crescimento da população, do capital, da produção e da poluição que a Biosfera é capaz de absorver e sustentar. Temos muita informação de caráter parcial que os otimistas lêem de forma otimista, os pessimistas de forma pessimista e outros preferem nem olhar…
  • Se projetamos para o futuro as atuais políticas nacionais, não nos aproximamos de um futuro desejável no qual as necessidades humanas sejam plenamente satisfeitas. O que encontramos é uma maior desigualdade entre os ricos e os pobres, maiores problemas com relação aos recursos naturais, mais destruição ambiental e piores condições econômicas.
  • Apesar destas dificuldades, as tendências atuais não se manterão necessariamente no futuro. O mundo pode começar um período de transição que o leve a um futuro não só quantitativa, mas também qualitativamente melhor. Outros bucles negativos que atualmente são secundários, podem tornar-se dominantes e, como vimos antes, levar o sistema a novos equilíbrios. Pensemos, por exemplo, nos esforços que começam a ser feitos para preservar o meio ambiente ou para reduzir as desigualdades sociais à medida que aumentam os problemas. Pode ser que o aumento concentrado nesta direção consiga reverter a tendência insustentável do desenvolvimento econômico atual…
  • Como será este futuro, se ele será melhor ou pior, não é uma coisa predeterminada. No entanto, depende das decisões e mudanças que realizamos (ou não) hoje.
  • Quando os problemas são evidentes para todos, normalmente já é tarde demais para fazer alguma coisa. Por isso, as políticas para mudar os processos sociais devem implementar-se já nas primeiras etapas dos processos, quando o impacto das políticas é muito maior e os seus custos (em termos de tempo e de recursos) são muito menores.
  • Apesar de que devemos prever progressos tecnológicos e que estes sejam positivos, nenhum avanço tecnológico por si só é capaz de nos levar a um futuro melhor. A reorganização social, econômica e política logra estes objetivos de forma muito mais efetiva.
  • A interdependência entre os povos e os países ao longo do tempo é muito maior do que imaginamos. As ações realizadas em um canto do mundo podem ter efeitos no médio prazo que não só são impossíveis de intuir, mas provavelmente impossíveis de prever, inclusive com os mais sofisticados modelos de computador.
  • Devido a estas interdependências, inclusive ações simples que visam resultados concretos, muitas vezes podem ser contra produtivas. Devemos tomar nossas decisões considerando o horizonte mais amplo possível.
  • As estratégias cooperativas para conseguir objetivos pessoais ou nacionais, geralmente são mais proveitosas para todas as partes implicadas, do que os enfoques ou estratégias baseadas na competição e na confrontação. De fato, é um princípio básico da teoria dos sistemas que em todo sistema sustentável – seja um ecossistema, uma família ou uma cidade… – os elementos de cooperação (respeito, apoio mútuo, simbiose…) devem predominar sobre os elementos de competição e de destruição recíproca. Enquanto os leões apenas matam as gazelas que necessitam para se alimentar, eles contribuem para a seleção natural e o fortalecimento genético das gazelas e assim para a sustentabilidade do ecossistema. Só se eles começassem a matar gazelas indiscriminadamente, por hobby (como o fazemos nós, os humanos…) que eles poderiam pôr em risco não só a sobrevivência das gazelas, mas de todo o ecossistema e desta forma deles mesmos…
  • Muitos planos, programas e acordos internacionais se baseiam em hipóteses sobre a realidade do mundo que não são consistentes com a realidade física. Desta forma, dedicamos muito tempo e esforços para criar e discutir políticas que, já de entrada, são impossíveis de se realizar.

Para todas as pessoas que criaram este tipo de modelos do mundo, as conclusões finais no fundo não lhes parecem mais tão surpreendentes. Durante o processo de criação do modelo, eles ganharam uma visão intuitiva de como funciona o complexo sistema no qual vivemos.

As conclusões finais dos modelos globais são muito simples: o mundo é um sistema complexo, interdependente, limitado e no qual as dimensões ecológica, social, econômica e psíquica estão conectadas.

Nossos contínuos problemas surgem diretamente desta falta de percepção das relações e das interdependências que existem no interior de um sistema.Ninguém trabalha para criar fome, pobreza, poluição ou para a destruição da biodiversidade. Poucas pessoas apóiam o uso das armas ou do terrorismo e ninguém quer o alcoolismo ou a inflação.

No entanto, estes fenômenos surgem do funcionamento do sistema atual como um todo, apesar dos esforços que se fazem no sentido contrário.

Em alguns casos, as políticas realizadas conseguiram solucionar os problemas. No entanto muitos problemas resistem às mudanças. Talvez já seja o momento de mudar nossa forma de olhar para a realidade para que possamos tentar solucionar seus problemas de outra forma.”