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URBES quer colocar o transporte público de Sorocaba no Google Maps

Há alguns meses tenho compartilhado com alguns amigos o desejo tornar disponível as informações do transporte público de Sorocaba no Google Maps, assim como a SPTrans fez em São Paulo.

Ontem, dia 28 de agosto de 2009 (sexta-feira), fiz uma reunião na URBES com o Luis Eduardo da área de dados da URBES, com o Evair e o Adriano, esses dois últimos da área de transporte público. Apresentei a eles a idéia e para minha surpresa, descobri que a URBES já tinha esse desejo de inovar e criar esta ferramenta.

Mostrei a eles então a API do Google e dei uma aulinha básica sobre ela, mostrei um exemplo de pesquisa e outras coisas relacionadas ao assunto. Eles me apresentaram as pesquisas que já haviam feito. Imaginamos alguns cenários possíveis em Sorocaba, como pessoas

Na saída da reunião, os 3 representantes da URBES me falaram que querem tocar adiante o projeto de implantação e disseram que irão ficar em contato comigo para que eu possa ajudá-los (a princípio voluntariamente) a concretizar este projeto. Eu também disse que iria cobrar deles a execução do mesmo.

Sobre o Google Transit.

O Google disponibiliza uma API chamada Google Transit para que qualquer cidade possa colocar as informações sobre o itinerários dos meios de transporte público da cidade no Google Maps, de forma gratuíta.

São vários os benefícios que a cidade ganha ao disponibilizar essas informações no Google Transit.

O primeiro é para os cidadãos, que podem pesquisar quais são as formas de se chegar em algum lugar da cidade, com detalhe de preços de passagem, baldeações e distâncias a serem percorridas a pé. Veja um exemplo de São Paulo clicando aqui. Tudo isso é calculado pelo Google Maps, que  inclusive mostra mais de uma possibilidade de interligação de ônibus para se chegar ao destino, dando assim a possibilidade ao usuário de escolher se quer chegar mais rápido e/ou economizar dinheiro.

O segundo é para a própria empresa de transporte público/coletivo. Após a formatação dos dados no padrão solicitado pelo Google, a empresa pode utilizar o software Time Table publisher para estudar de forma sistêmica quais são as melhores opções e fragilidades dos itinerários de seus veículos.

Estou procurando quem faça isso no Brasil profissionalmente, mas por enquanto não achei as pessoas, então estou virando autodidata no assunto.

Se você tem interesse em levar esta novidade para sua cidade, deixe seu comentário aqui e veja alguns links importantes sobre o assunto:

http://delicious.com/richieri/transit

Curso de Dinâmica de Sistemas na Universidade da Catalunha

Comecei hoje a participar de um curso a distância sobre Dinâmica de Sistemas, ministrado pela Catedra UNESCO que é uma unidade da Universidade da Catalunha que tem como objetivo promover o desenvolvimento sustentável, reduzir as desigualdades e promover a diversidade.

Dentro deste contexto nasceram vários grupos de estudo na Catedra UNESCO, um deles é o grupo Dinâmica de Sistemas, que oferece o curso de Especialização em Dinâmica de Sistemas e o curso de Criação de Modelos de Ecologia e Gestão de Recursos Naturais.

Ambos os cursos tem como base o pensamento sistêmico e objetivam ensinar a entender diagramas de sistemas, escreve-los e gerar modelos computacionais de simulação.

O que me interessou mais neste momento, é saber que estes cursos possuem estão conectados ao tema “Sustentabilidade”, e partem do princípio que o pensamento linear gera a escassez e alimenta a competição humana.

Além disso, logo no primeiro texto, a cooperação é citada como único meio de desverticalizar empresas e gerar processos sustentáveis. A dinâmica de sistemas e o pensamento sistêmico dão suporte às pessoas que desejam cooperar a medida que são ferramentas que permitem um visualização mais rica das inter-relações das pessoas e de grupos de pessoas com seu ambiente.

Simulação do mundo

No primeiro texto ainda, fiquei sabendo que existem vários malucos sistêmicos que elaboraram mapas sistêmicos de simulação do mundo. Isso mesmo! Imagine, vários camaradas já colocaram milhares de variáveis e funções num computador, pra simular o que pode acontecer com a antroposfera e com a biosfera.

Como citado num dos documentos da Pós, esses modelos (simuladores) foram criados em diferentes países, utilizando técnicas diferentes e com diferentes objetivos. Desta forma, todos estes modelos estão limitados pela quantidade e a qualidade das informações que os seus criadores incluíram.

Os fatores que estão incluídos nos modelos são: econômicos, população, agricultura, problemas ambientais, o uso de recursos naturais, guerras, política, idéias novas ou desastres naturais – todos fatores com uma forte dimensão caótica e/ou qualitativa, de difícil modelização… A maioria assume que a tecnologia não muda ou muda de forma automaticamente, sem nenhum custo, e de forma exponencial (acumulativa), permitindo uma maior produção a menores custos.

Alguns modelos consideram o mundo como uma simples unidade, outros o dividem em 10 ou 15 regiões, sendo que alguns chegam até uma centena de países. O horizonte temporal considerado varia entre alguns anos até um século. Alguns modelos, principalmente os primeiros, levantaram muitas polêmicas. Outros foram criados com o objetivo claro de questionar os resultados de modelos anteriores.

No entanto existem características comuns a todos eles, destaco algumas que me interessaram e aproveito pra citar o final do primeiro capitulo que estou estudando:

“…

  • Um modelo é uma lista de equações matemáticas que explicitamente refletem uma determinada imagem do mundo, apoiada por parâmetros estatísticos e relações logicamente coerentes entre si. Por trás de isso tudo podemos ver frases como “se todas estas hipóteses são corretas, não se omitiu nenhum outro fator relevante e sua validade se mantém no futuro, então os resultados lógicos serão…” (você, aluno, pode anotar esta frase para tê-la preparada se por acaso algum dia precisar…).
  • Não existem, no momento, razões técnicas ou físicas para que as necessidades humanas não sejam satisfeitas agora ou num futuro previsível. Estas necessidades não se satisfazem por questões de estruturas políticas, sociais, culturais e legais, não por questões físicas.
    Este paragrafo me remete ao livro que li há 8 anos. Ami, o Menino das Estrelas
  • A população e o consumo de recursos físicos não pode crescer indefinidamente sobre a Terra. Existem limites ao crescimento.
  • Não temos uma informação completa e clara sobre o grau de crescimento da população, do capital, da produção e da poluição que a Biosfera é capaz de absorver e sustentar. Temos muita informação de caráter parcial que os otimistas lêem de forma otimista, os pessimistas de forma pessimista e outros preferem nem olhar…
  • Se projetamos para o futuro as atuais políticas nacionais, não nos aproximamos de um futuro desejável no qual as necessidades humanas sejam plenamente satisfeitas. O que encontramos é uma maior desigualdade entre os ricos e os pobres, maiores problemas com relação aos recursos naturais, mais destruição ambiental e piores condições econômicas.
  • Apesar destas dificuldades, as tendências atuais não se manterão necessariamente no futuro. O mundo pode começar um período de transição que o leve a um futuro não só quantitativa, mas também qualitativamente melhor. Outros bucles negativos que atualmente são secundários, podem tornar-se dominantes e, como vimos antes, levar o sistema a novos equilíbrios. Pensemos, por exemplo, nos esforços que começam a ser feitos para preservar o meio ambiente ou para reduzir as desigualdades sociais à medida que aumentam os problemas. Pode ser que o aumento concentrado nesta direção consiga reverter a tendência insustentável do desenvolvimento econômico atual…
  • Como será este futuro, se ele será melhor ou pior, não é uma coisa predeterminada. No entanto, depende das decisões e mudanças que realizamos (ou não) hoje.
  • Quando os problemas são evidentes para todos, normalmente já é tarde demais para fazer alguma coisa. Por isso, as políticas para mudar os processos sociais devem implementar-se já nas primeiras etapas dos processos, quando o impacto das políticas é muito maior e os seus custos (em termos de tempo e de recursos) são muito menores.
  • Apesar de que devemos prever progressos tecnológicos e que estes sejam positivos, nenhum avanço tecnológico por si só é capaz de nos levar a um futuro melhor. A reorganização social, econômica e política logra estes objetivos de forma muito mais efetiva.
  • A interdependência entre os povos e os países ao longo do tempo é muito maior do que imaginamos. As ações realizadas em um canto do mundo podem ter efeitos no médio prazo que não só são impossíveis de intuir, mas provavelmente impossíveis de prever, inclusive com os mais sofisticados modelos de computador.
  • Devido a estas interdependências, inclusive ações simples que visam resultados concretos, muitas vezes podem ser contra produtivas. Devemos tomar nossas decisões considerando o horizonte mais amplo possível.
  • As estratégias cooperativas para conseguir objetivos pessoais ou nacionais, geralmente são mais proveitosas para todas as partes implicadas, do que os enfoques ou estratégias baseadas na competição e na confrontação. De fato, é um princípio básico da teoria dos sistemas que em todo sistema sustentável – seja um ecossistema, uma família ou uma cidade… – os elementos de cooperação (respeito, apoio mútuo, simbiose…) devem predominar sobre os elementos de competição e de destruição recíproca. Enquanto os leões apenas matam as gazelas que necessitam para se alimentar, eles contribuem para a seleção natural e o fortalecimento genético das gazelas e assim para a sustentabilidade do ecossistema. Só se eles começassem a matar gazelas indiscriminadamente, por hobby (como o fazemos nós, os humanos…) que eles poderiam pôr em risco não só a sobrevivência das gazelas, mas de todo o ecossistema e desta forma deles mesmos…
  • Muitos planos, programas e acordos internacionais se baseiam em hipóteses sobre a realidade do mundo que não são consistentes com a realidade física. Desta forma, dedicamos muito tempo e esforços para criar e discutir políticas que, já de entrada, são impossíveis de se realizar.

Para todas as pessoas que criaram este tipo de modelos do mundo, as conclusões finais no fundo não lhes parecem mais tão surpreendentes. Durante o processo de criação do modelo, eles ganharam uma visão intuitiva de como funciona o complexo sistema no qual vivemos.

As conclusões finais dos modelos globais são muito simples: o mundo é um sistema complexo, interdependente, limitado e no qual as dimensões ecológica, social, econômica e psíquica estão conectadas.

Nossos contínuos problemas surgem diretamente desta falta de percepção das relações e das interdependências que existem no interior de um sistema.Ninguém trabalha para criar fome, pobreza, poluição ou para a destruição da biodiversidade. Poucas pessoas apóiam o uso das armas ou do terrorismo e ninguém quer o alcoolismo ou a inflação.

No entanto, estes fenômenos surgem do funcionamento do sistema atual como um todo, apesar dos esforços que se fazem no sentido contrário.

Em alguns casos, as políticas realizadas conseguiram solucionar os problemas. No entanto muitos problemas resistem às mudanças. Talvez já seja o momento de mudar nossa forma de olhar para a realidade para que possamos tentar solucionar seus problemas de outra forma.”

É só pintar o telhado de branco…

Conheci hoje neste post do Blog Energia Eficiente a campanha Um Grau a Menos, ou melhor, One Degree Less.

Segundo o pessoal do projeto, se todos pintarem os telhados de branco, a gente consegue diminuir muito a temperatura global, já que 24% das áreas das cidades são compostas de telhados, que só refletem cerca de 20% do calor solar.

Minha casa é feita de Blocos Industriais e por isto tem feito calor demais nela esses dias, já que o correto pra uma residência é utilizar tijolos que deixam o ambiente mais fresco em dias tão quentes como os que de agora. Estava procurando algumas soluções pra amenizar  a temperatura de casa.

A primeira solução que encontrei foi fazer um forro com caixas Tetra Pak e agora essa história de pintar o telhado de branco. Além de contribuir para o planeta, também contribuíra pra quem tem este mesmo problema pelo qual estou passando 🙂

Veja o vídeo da campanha:

httpv://www.youtube.com/watch?v=i1195q3TqL0

Confira os dados científicos para esta afirmação no site Energia Eficiente. É imprissionante 🙂

The Good Life

Um vídeo muito interessante sobre simplicidade e sustentabilidade de certa forma. A very interesting video about simplicity and sustainability

Comecei a traduzir mas minhas capacidades em inglês são limitadas 🙁 Então segue a versão original:

httpv://www.youtube.com/watch?v=McvCJley78A&s=353

E pra quem traduzir, o link é:

http://www.transyoutube.com/watch?v=McvCJley78A&s=353

Fazendo um aquecedor solar de água com Garrafa Pet

Depois de um certo tempo pesquisa, resolvi começar a fazer nesta semana meu aquecedorzinho solar de água de baixo custo, reaproveitando alguns materiais recicláveis, como garrafas pet e caixas de leite Tetra Park.

Este projeto de “código aberto” foi primeiramente pensado pelo Sr. Alano, da cidade de Tuburão em Santa Catarina e parece a primeira vista bem fácil de se montar a partir do modelo mais do que sistematizado que está disseminado na internet em vários sites. Fiz uma coletânea de links aqui.

Aqui um vídeo do Sr. Alano falando sobre o aquecedor:

Embora tenha encontrado este projeto há pelo menos 4 anos atrás na net, só agora tive coragem de ir a luta (filho da pátria), vendo outras pessoas que estão fazendo e tendo resultados positivos, como pude ver neste post do “Dr. Chicletinho”.

Outro fator que me animou foi ter encontrado e conhecido uma coperativa de catadores de recicláveis nas próximidades de casa. Lá falei com alguns catadores e me espantei em saber que eles conheciam o projeto. Uns até já tinham pensado em fazer algumas modificações no projeto do Sr. Alano, porém nenhum deles havia construido o tal coletor. Achei então que seria uma grande oportunidade de disseminar este projeto aqui em Sorocaba.

Me parece interessante a idéia de após construir o meu aquecedor, realizar uma oficina com esses catadores para que eles consigam também fazer seus próprios aquecedores ou até mesmo que eles consigam disseminar o projeto em seus bairros.

Mais um input positivo pra realizar o projeto veio de meu pai que se amarra em construir aquecedores, trocadores de calor e pesquisar fontes de energia alternativas as tradicionais.

Da minha parte então, prometo compartilhar minha experiência na construção desse aquecedor nesta wiki que criei:

http://wiki.richieri.com

Já comprei parte do material pra fazer o projeto. Comprei inclusive os recicláveis da Cooperativa, 100 garrafas Pet Cristal. Tudo muito baratinho, até agora gastei uns R$ 50,00 entre canos, recicláveis e outras coisas. Acredito que o total de materiais do projeto será de R$ 250,00, mas comentarei isto depois de finalizar o projeto pra passar um valor real.

Aproveito também pra sugerir a leitoral dos post do “Dr. Chicletinho” sobre o assunto:

http://drchicletinho.blogspot.com/search/label/Aquecimento


[paypal text=”Gostou deste artigo? Você pode me pagar um cafezinho e ajudar a manter este blog clicando aqui :-)” email=”richieri@gmail.com” title=”Contribuicao voluntaria para o site Richieri.com” amount=”2″ currency=”USD” /]

The Meatrix em Português – Tome a pílula vermelha!

Há alguns anos, logo quando parei de comer carne, tive contato com alguns vídeos e mídias interessantes. The Meatrix foi uma delas. Na época só existia o vídeo em inglês eu acho. E agora, através do Twitter do Thiago Carrapatoso, fiquei sabendo do The Meatrix em Português 🙂

http://www.themeatrix.com/intl/brazil/

Aldeia Sustentável, um lugar pra encontrar ações pra deixar o dia-a-dia mais inteligente

Fui convidado esses dias pra conhecer a rede Aldeia Sustentável, projeto criado por algumas recém amigas (Claudia Chow e Paula Signorini que conheci durante o Global Forum América Latina.

Achei a idéia “sooooooper” então resolvi divulgar o projeto. A Aldeia Sustentável é uma rede social onde podemos blogar/publicar nossas ações cotidianas para melhoria do meio ambiente, pela sustentabilidade.

O que podemos fazer hoje. Vejo que cada membro desta rede poderá aumentar sua consciência a medida que vai tomando contato com ações simplese experiências reais de transformação pessoal.

Ora, no final das contas, vejo que o mais difícil é a transformação de cada um. Pra eu mudar um hábito meu, é bem difícil! Infelizmente, mas é verdade, e dentro dos meus diversos hábitos que me fazem ter uma pegada ecológica de 3,5 planetas, devem existir coisas simples que posso mudar ao entrar em contato com o relato de pessoas que já os mudaram em suas vidas.

Parabéns pela iniciativa moças! Já vou blogar algumas coisas que faço!

A Aldeia estará no ar a partir de 1° de Dezembro de 2008. Visitem:

http://aldeiasustentavel.ning.com/

Vamos trazer a sustentabilidade para as nossas vidas?

Mais um dia se começa. Acordo, venho pra São Paulo, vou trabalhar. Meu pai, sai de casa, vai trabalhar. Minha mãe, pega seu carro e vai trabalhar. Meu irmão vai para seu trabalho também. Minha namorada espera sua amiga para ir à Faculdade, de carro. Todos vão longe, de carro ou ônibus.

Chega o final do dia. Tarefas de casa. Minha mãe faz janta. Eu estou em São Paulo, ainda trabalhando. Meu irmão, em Sorocaba, já vai fritando um hamburguer pra comer. Meu pai tá assistindo TV essas horas.

Na TV, meu pai, meu irmão e minha mãe, ouvem falar de sustentabilidade, ou de insustentabilidade da humanidade. Geleiras derretendo, pessoas passando fome, em condições desumanas.

Minha mãe me liga no final do dia. No nosso bate-papo,  ela reclama que não aguenta mais dar aula (ela é professora). “Ninguém presta atenção”. Eu digo pra ela mudar a aula, fazer diferente. Ela reclama do estado.

Todo mundo quer um planeta melhor. Mas quando vamos para, respirar e tocar no assunto? A vida está andando, acontecendo. A gente acorda e vai trabalhar. Quando vamos começar?

Pessoal, meus amigos, leitores e familiares. Vamos começar?

Nestes dias 20 e 21 de Novembro de 2008, irei estar no Global Forum America Latina, em São Paulo, um evento onde cerca de 500 pessoas estarão reunidas pensando, refletindo sobre sustentabilidade. Está aí a oportunidade de conseguirmos parar e conseguir chavear nossa rotina, mudar a rota e iniciarmos um novo momento de nossa estadia aqui na Terra.

Convido vocês meus amigos, a se inscreverem e participarem do evento.

Para isso, acesse:

http://www.globalforum.com.br

Esboços de uma sociedade planetária sustentável

Por Fritjof Capra e Ernest Callenbach

Do blog do Augusto no GFAL

O conceito de sustentabilidade transformou-se num elemento chave no movimento global, crucial para encontrar soluções viáveis para resolver os maiores problemas do mundo. O que significa isto? Lester Brown, fundador do Worldwatch Institute, elaborou uma definição clara: “Uma sociedade sustentável é aquela que satisfaz as suas necessidades sem diminuir as possibilidades das gerações futuras de satisfazer as delas”.

Como seria, verdadeiramente, uma sociedade sustentável? Ainda não há modelos detalhados, mas na última década surgiram critérios básicos que nos permitem desenhar a forma emergente das sociedades sustentáveis.

A sustentabilidade global requer uma drástica diminuição do crescimento mundial. As sociedades sustentáveis terão populações estáveis, como as que têm hoje em dia 13 países europeus e o Japão. A população mundial deverá se estabilizar no máximo em oito bilhões de pessoas. As economias sustentáveis não serão movidas por combustíveis fósseis, mas sim por energia solar e suas muitas formas diretas e indiretas: luz solar para aquecimento e eletricidade fotovoltaica, energia eólica, hídrica e assim por diante. A energia nuclear deixará de ser usada devido a sua longa lista de desvantagens e riscos econômicos, sociais e ambientais. Os painéis solares aquecerão a maior parte da água doméstica ao redor do mundo, e a maior parte da calefação será feita pela entrada direta dos raios solares.

Com as células fotovoltaicas, os lares, em todas as partes do mundo, serão tanto produtores quanto consumidores de eletricidade. A produção de energia será muito mais descentralizada e, por isso mesmo, menos vulnerável aos cortes ou apagões.

Um sistema energético sustentável será também muito mais eficiente. A economia de combustível dos automóveis será duas vezes maior. Por sua vez, a eficiência dos sistemas de iluminação será três vezes melhor, e as necessidades de aquecimento diminuirão em 75 por cento. Tudo isto hoje em dia é possível graças às tecnologias já existentes.

O transporte numa sociedade sustentável será muito menos esbanjador e poluente do que hoje. As pessoas morarão muito mais perto dos seus lugares de trabalho e se movimentarão nas vizinhanças por sistemas altamente desenvolvidos de ônibus e transportes sobre trilhos. Haverá menos automóveis particulares. As bicicletas serão um veículo importante no sistema de transporte sustentável. Hoje em dia, já há no mundo duas vezes mais bicicletas do que automóveis. Nas indústrias sustentáveis, a reciclagem será a principal fonte de matéria prima. O design de produtos se concentrará na durabilidade e no uso reiterado, em vez da vida curta e descartável dos produtos. O desejável será uma mentalidade baseada na ética da reciclagem. As empresas de reciclagem ocuparão o lugar das atuais companhias de limpeza urbana e disposição final do lixo, reduzindo a quantidade de resíduos em pelo menos em dois terços.

Uma sociedade sustentável necessitará de uma base biológica restaurada e estabilizada. O uso da terra seguirá os princípios básicos da estabilidade biológica: a retenção de nutrientes, o equilíbrio de carbono, a proteção do solo, a conservação da água e a preservação da diversidade de espécies. É provável que as áreas rurais tenham maior diversidade do que atualmente com o manejo equilibrado da terra, em que haverá rotatividade de plantações e de cultivo de espécies. As empresas que produzirem alimentos e energia serão mais populares.

Não haverá desperdício de colheitas. Os bosques tropicais serão conservados. Não haverá desmatamento para obtenção de madeira e outros produtos. Pelo contrário, milhões de hectares de novas árvores serão plantados. Os esforços para deter a desertificação transformarão as áreas degradadas em terrenos produtivos. O uso exaustivo de pastagens será eliminado, assim como haverá modificação na cadeia alimentar das sociedades afluentes, para incluir menos carne e mais grãos e vegetais.

Novas indústrias sustentáveis estarão mais descentralizadas, fomentando uma maior independência nas grandes cidades. Os sistemas de valores que enfatizam a quantidade, a expansão, a competição e a dominação darão lugar à qualidade, à conservação, à cooperação e à solidariedade. À medida que a acumulação de riqueza material perder sua importância, a distância entre ricos e pobres diminuirá, eliminando muitas tensões sociais.

A característica decisiva de uma economia sustentável será a rejeição da cega busca de crescimento. O produto interno bruto será reconhecido como um indicador falido. No lugar do PIB, as mudanças econômicas e sociais, tanto quanto as tecnológicas, serão medidas por sua contribuição à sustentabilidade. Em um mundo sustentável, os orçamentos militares serão uma pequena fração do que são hoje. Em vez de manter caras e poluidoras instituições de defesa, os governos poderão investir em uma fortalecida Organização das Nações Unidas para a manutenção da paz.

As nações descentralizarão o poder e a tomada de decisões dentro de suas próprias fronteiras. Ao mesmo tempo, estabelecerão um grau de cooperação e coordenação sem precedentes em nível internacional para solucionar problemas globais. As diferenças ideológicas se dissiparão frente à crescente consciência de que a Terra é o nosso lugar comum, não importando os nossos diferentes antecedentes culturais. A compreensão de que todos nós compartilhamos esta Terra será a fonte de um novo código ético.

A imagem de uma futura Terra sustentável tem sido pintada com grandes pincéis. O desafio das próximas décadas é aperfeiçoar os detalhes, por meio do trabalho das corporações, dos governos, das organizações ambientais, dos partidos políticos e dos cidadãos. Nós acreditamos que o ideal da sustentabilidade é uma preciosa meta, estimulante para os seres humanos, cansados de uma época esbanjadora e destrutiva.

Note-se que no texto não existe a palavra democracia e que, na sociedade planetária sustentável do futuro, imaginada por Capra e Callenbach, parece não haver muito lugar para a política democrática. Embora eles mencionem partidos políticos, praticamente não falam de política. Ou melhor, falam, ao supor que nessa sociedade planetária sustentável do futuro os centros do poder político ainda serão os Estados-nações com suas fronteiras (mas, é claro, eles “descentralizarão o poder e a tomada de decisões dentro de suas próprias fronteiras…”). Todavia, não é por meio da política que construiremos a tal sociedade do futuro (o paraíso da sustentabilidade na Terra): tudo se arranjará a partir do avanço da compreensão do funcionamento dos ecossistemas. Até mesmo “as diferenças ideológicas se dissiparão frente à consciência de que a Terra é o nosso lugar comum, não importando os nossos diferentes antecedentes culturais et coetera”.

Não é o aprendizado coletivo resultante da experimentação de novas formas de organização e convivência com as diferenças humanas, como resposta aos desafios de conservar a adaptação a um ambiente que muda continuamente, que tornará nossas sociedades mais sustentáveis e sim uma consciência que surgirá pelo conhecimento da natureza e se imporá como novo padrão ético universal. Eis aqui um novo platonismo que, como qualquer platonismo, despreza a democracia.

Teste da pegada ecológica em Português

O Algarra achou um teste da pegada ecológica em português. Bem mais simples e claro:

http://www.pegadaecologica.org.br/

Pra variar, meu teste não foi muito animador. Se todos fossem igual a mim, precisaríamos de 3 planetas.